Domingo, 13 de Janeiro de 2008

We are family... (take 1)

Quando o meu irmão nasceu tinha quatro anos e meio. Não me lembro de muita coisa, mas lembro-me de ter ficado muito feliz. A minha mãe diz que eu nunca tive acessos de ciúme por ter deixado de ser a criança de toda a família e que só queria brincar com o J. O meu irmão era o meu novo boneco, até vejo isso na maneira como o agarro nas fotos.

Fomos crescendo. Brincávamos juntos (ele preferia as minhas barbies, eu preferia os playmobiles dele), discutíamos, brigávamos (pelo menos, enquanto eu tinha mais força que ele, depois fui esperta e deixei-me disso...), gozava com ele, como qualquer irmão mais velho faz (lembro-me de uma vez, tinha eu para aí 10 anos, consegui convencê-lo que tinha sido encontrado no caixote do lixo, o que ele chorou e o que eu ouvi da minha mãe...) e sempre fui muito protectora em relação a ele. Era o meu boneco, tinha de o defender de uma situação familiar um bocado complexa e disfuncional. Também acho que foi isso que nos uniu...um pai com um feitio complicado, uma mãe demasiado submissa, um ambiente familiar muitas vezes a roçar a loucura. Lembro-me muito bem de um postal que o J. me deu uma vez no Natal, tinha ele uns 13 anos, em que dizia que eu era a melhor irmã do mundo. Ainda o tenho lá guardado, na caixa das recordações.

Afastámo-nos com a minha vinda para Lisboa. Nem mesmo quando ele veio e chegámos a viver juntos, a situação melhorou muito. O J. tem um feitio muito diferente do meu, é mais fechado, desconfiado, de uma teimosia a roçar a intrasigência, incapaz de um desabafo ou de um pedido de ajuda. Pelo menos comigo. Às vezes, parece que só falamos de banalidades ou pior que não temos nada para conversar. Já lhe disse isto várias vezes. Tenho medo de um dia, sermos daqueles irmãos que só se falam pelo Natal e pelos anos. Que não sabem nada um do outro. Gostava que fôssemos amigos. Verdadeiros amigos. Mas até a noção de amizade do meu irmão é diferente da minha, acho eu...

Eu tenho muitos e bons amigos, que espero ter a vida toda, mas de qualquer maneira um irmão é um irmão. É sangue, é alguém que estará sempre ligado a mim, a vida toda. Devíamos cultivar isso, não tomar essa relação por certa. Até porque, claramente, se há pessoa de quem vamos gostar sempre, por mais asneiras que faça, por mais distância que exista, é de um irmão, certo?
Gostava que ele conseguisse falar, abrir-se comigo. Até porque ando preocupada com ele. Não o sinto bem, como algumas atitudes que ele tem tido o têm revelado. Como é que se ajuda alguém que não quer ser ajudado?? Como é que se constrói uma relação mais próxima com alguém que acha que assim é que se está bem??

sinto-me: nostálgica
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publicado por M. às 21:14
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